VOLUNTARIADO
Há sempre tempo quando se percebe que o tempo é um espaço que cavamos por dentro de nós.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
29 de maio de 2008
DIGRESSÕES
Amanhã estarei na Escola Secundária de Santiago do Cacém. Palestra, de manhã, e sessão de Escrita Criativa ao início da tarde.
Confrontar os alunos do secundário que conhecem o meu trabalho dos livros de estudo com a frase "Já não há heróis". Ou, como diria Caetano Veloso, "Ou talvez não..."
Amanhã estarei na Escola Secundária de Santiago do Cacém. Palestra, de manhã, e sessão de Escrita Criativa ao início da tarde.
Confrontar os alunos do secundário que conhecem o meu trabalho dos livros de estudo com a frase "Já não há heróis". Ou, como diria Caetano Veloso, "Ou talvez não..."
23 de maio de 2008

HELP!
Ao longo dos últimos meses deixei acumular uma tal pilha de papéis de natureza vária sobre a minha mesa que se torna necessário ter muita coragem para a atacar.
Na verdade, enquanto escrevo isto, descubro que vivem formigas lá debaixo... Das duas, uma: ou a minha escrita adoçou ou andam mais coisas lá para o fundo do que papéis.
A CHATICE DA GENÉTICA SOCIAL
Está-nos no sangue, como ouvir o José Cid ou a comédia portuguesa dos anos 30: ver a volumosa cantora madeirense passar à final do Eurofestival da Canção provoca uma vibraçãozinha qualquer.
ps: claro que o facto de não termos estilistas ou coreógrafos de nível internacional voltou a ficar escarrapachado nas nossas caras vermelho-e-verde... Mas enfim, a rapariga lá deu o melhor de si.
Está-nos no sangue, como ouvir o José Cid ou a comédia portuguesa dos anos 30: ver a volumosa cantora madeirense passar à final do Eurofestival da Canção provoca uma vibraçãozinha qualquer.
ps: claro que o facto de não termos estilistas ou coreógrafos de nível internacional voltou a ficar escarrapachado nas nossas caras vermelho-e-verde... Mas enfim, a rapariga lá deu o melhor de si.
21 de maio de 2008
A RITA ENVIOU-ME ESTE TEXTO DO WOODY ALLEN QUE EU JÁ TINHA LIDO, MAS ESQUECIDO
'Next Life' by Woody Allen
In my next life I want to live my life backwards. You Start out dead and get that out of the way. Then you wake up in an old people's home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day. You work for 40 years until you're young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, you play. You have no responsibilities, you become a baby until you are born. And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm! I rest my case
'Next Life' by Woody Allen
In my next life I want to live my life backwards. You Start out dead and get that out of the way. Then you wake up in an old people's home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day. You work for 40 years until you're young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, you play. You have no responsibilities, you become a baby until you are born. And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm! I rest my case
18 de maio de 2008
DAS COISAS SÉRIAS
Tenho verificado ao longo dos anos que os portugueses têm especial apreço pelas pessoas "sérias". Não as honestas ou francas, mas aquelas que fazem afirmações públicas de rosto severo. Ou que em vez de produzirem pensamento próprio preferem repetir o que leram nos manuais escolares, sobretudo nos de Filosofia de 11º ano.
Eu confesso que não tenho dado mostras desta razoabilidade medíocre. Mas há um tempo para tentar tudo.
Assim, aqui fica este vídeo de uma das nossas maiores referências. Alguém que diz aos outros como estar na vida. Sem as hesitações de quem pesa o passado, o presente e as hipóteses de futuro.
Quem sabe se um dia a nossa imprensa não dará tanta atenção às palavras de um escritor como de momento lhe dá a ela....
Tenho verificado ao longo dos anos que os portugueses têm especial apreço pelas pessoas "sérias". Não as honestas ou francas, mas aquelas que fazem afirmações públicas de rosto severo. Ou que em vez de produzirem pensamento próprio preferem repetir o que leram nos manuais escolares, sobretudo nos de Filosofia de 11º ano.
Eu confesso que não tenho dado mostras desta razoabilidade medíocre. Mas há um tempo para tentar tudo.
Assim, aqui fica este vídeo de uma das nossas maiores referências. Alguém que diz aos outros como estar na vida. Sem as hesitações de quem pesa o passado, o presente e as hipóteses de futuro.
Quem sabe se um dia a nossa imprensa não dará tanta atenção às palavras de um escritor como de momento lhe dá a ela....
16 de maio de 2008
A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO MERCADO
Dizem-me, por telefone, que fui comprado pela Leya. Eu e os outros que confiámos na Oficina, na Caminho, na D.Quixote, etc. Não sabemos nada do assunto, claro. Nem me parece que dessa venda reverta alguma coisa para as fontes de produção, vulgo, os escritores. Há-de ser mais uma coisa tipo escravos. Toma lá este que é bom para cortar cana, e esta que é boa parideira e passa para cá os luíses. Sobre este assunto, muita coisa terá de acontecer até que a poeira assente.
Entrentanto, a APEL faz finca-pé nos pavilhões nojentos onde nos recebe ano após ano. Para não haver ricos nem pobres, somos todos pobres. Era bom que tivessem juízo, nesta questão estético-ética.
Quem parece estar "atento ao mercado do livro" é o ministro da cultura. E contente, também, segundo os jornais (que a realidade raramente se compadece com a matéria escrita). Segundo os pasquins, José António Pinto Ribeiro, diz ver "com bons olhos" a constituição de monopólios editoriais (...) e que "o mercado do livro está em mutação acelerada e a concentração de editoras em grupos empresariais é um factor de desenvolvimento da língua portuguesa e da sua divulgação".
Ou está a precisar de mudar de lentes ou eu - citando uma directora de produção amiga - não estou na posse de todos os dados...
Dizem-me, por telefone, que fui comprado pela Leya. Eu e os outros que confiámos na Oficina, na Caminho, na D.Quixote, etc. Não sabemos nada do assunto, claro. Nem me parece que dessa venda reverta alguma coisa para as fontes de produção, vulgo, os escritores. Há-de ser mais uma coisa tipo escravos. Toma lá este que é bom para cortar cana, e esta que é boa parideira e passa para cá os luíses. Sobre este assunto, muita coisa terá de acontecer até que a poeira assente.
Entrentanto, a APEL faz finca-pé nos pavilhões nojentos onde nos recebe ano após ano. Para não haver ricos nem pobres, somos todos pobres. Era bom que tivessem juízo, nesta questão estético-ética.
Quem parece estar "atento ao mercado do livro" é o ministro da cultura. E contente, também, segundo os jornais (que a realidade raramente se compadece com a matéria escrita). Segundo os pasquins, José António Pinto Ribeiro, diz ver "com bons olhos" a constituição de monopólios editoriais (...) e que "o mercado do livro está em mutação acelerada e a concentração de editoras em grupos empresariais é um factor de desenvolvimento da língua portuguesa e da sua divulgação".
Ou está a precisar de mudar de lentes ou eu - citando uma directora de produção amiga - não estou na posse de todos os dados...
14 de maio de 2008
GLOBOS DE OURO
Enquanto não arranjo tempo para publicar um vídeo clandestino (lol), vou adiantando que fui (primeira e última vez) à festa dos Globos de Ouro. Sim, de smoking. Sim, alugado. Não, não foi barato e sim, estava horrível :)
É um espectáculo a não perder. Desde o povo que veste o seu melhor fato para se ir colar às baias que separam, na rua, a passadeira vermelha e as estrelitas, do resto ( e que gritam à desmesuradamente alta, loura... e igual a tudo o que se imagina, Bibá Pita!: "Ai linda! Bibá, um autógrafo!")até à Cinha Jardim, a dar golpes na fila do bufet, passando à frente de toda a gente como se estivesse na faculdade e o jantar fosse frango...
Mas o prémio da noite foi atribuído, mais uma vez, à inenarrável tia Bobona. O seu chapelinho prateado de palhaça arrebatou qualquer tentativa de destaque de Bárbaras, meninas de telenovelas e socialáites profissionais.Podem-lhe chamar bobona, mas para mim, será sempre uma senhora de se tirar o chapéu... (imaginem esta frase com música de circo...).
Oh, valha-me Santo António dos Cavaleiros!
Enquanto não arranjo tempo para publicar um vídeo clandestino (lol), vou adiantando que fui (primeira e última vez) à festa dos Globos de Ouro. Sim, de smoking. Sim, alugado. Não, não foi barato e sim, estava horrível :)
É um espectáculo a não perder. Desde o povo que veste o seu melhor fato para se ir colar às baias que separam, na rua, a passadeira vermelha e as estrelitas, do resto ( e que gritam à desmesuradamente alta, loura... e igual a tudo o que se imagina, Bibá Pita!: "Ai linda! Bibá, um autógrafo!")até à Cinha Jardim, a dar golpes na fila do bufet, passando à frente de toda a gente como se estivesse na faculdade e o jantar fosse frango...
Mas o prémio da noite foi atribuído, mais uma vez, à inenarrável tia Bobona. O seu chapelinho prateado de palhaça arrebatou qualquer tentativa de destaque de Bárbaras, meninas de telenovelas e socialáites profissionais.Podem-lhe chamar bobona, mas para mim, será sempre uma senhora de se tirar o chapéu... (imaginem esta frase com música de circo...).
Oh, valha-me Santo António dos Cavaleiros!
11 de maio de 2008
O QUE VEM DE CIMA
Ontem levei com o armário de parede na cabeça.
Para quem não tenha experiência, conste que basta uma parede de um prédio antigo onde as buchas e parafusos agarram a custo, uma colecção de copos, chávenas e garrafas e estar por baixo na hora errada.
O resto resume-se a um barulho ensurdecedor, a vida a passsar diante dos olhos e uns galos na testa.
Bom, é bem verdade que eu queria mudar de copos, mas escusava de ser tão radical...
Ontem levei com o armário de parede na cabeça.
Para quem não tenha experiência, conste que basta uma parede de um prédio antigo onde as buchas e parafusos agarram a custo, uma colecção de copos, chávenas e garrafas e estar por baixo na hora errada.
O resto resume-se a um barulho ensurdecedor, a vida a passsar diante dos olhos e uns galos na testa.
Bom, é bem verdade que eu queria mudar de copos, mas escusava de ser tão radical...
5 de maio de 2008
REGRESSO
atarantado às lides. Ainda com os olhos habituados a ver filme sobre filme. Os pés no vício de percorrer a Avenida de Roma, rua abaixo, rua acima. O divertimento de subir ao palco e inventar disparates para pais e criançada, antes do assunto sério que são os filmes e os concertos. Ou de trabalhar para fazer sentir a espectadores e realizadores que o Indie é primeiro que tudo, uma festa. A festa do cinema que existe por paixão, ano após ano.
Pronto, amanhã recomeça a vida.
atarantado às lides. Ainda com os olhos habituados a ver filme sobre filme. Os pés no vício de percorrer a Avenida de Roma, rua abaixo, rua acima. O divertimento de subir ao palco e inventar disparates para pais e criançada, antes do assunto sério que são os filmes e os concertos. Ou de trabalhar para fazer sentir a espectadores e realizadores que o Indie é primeiro que tudo, uma festa. A festa do cinema que existe por paixão, ano após ano.
Pronto, amanhã recomeça a vida.
28 de abril de 2008
SINAL VERMELHO DE OCUPADO!
Amigos, por mais uns dias, não posso falar.
Por razões indies, naturalmente.
Volto assim que sair do coma cinematográfico, a 4 de maio.
Amigos, por mais uns dias, não posso falar.
Por razões indies, naturalmente.
Volto assim que sair do coma cinematográfico, a 4 de maio.
22 de abril de 2008
NÃO, NÃO É NORMAL
O actual Secretário de Estado dos Desportos (creio que a designação andará por estes lados) declarou ter herdado uma dívida de 2 milhões de euros, do governo Santana Lopes, destinada a subsidiar as corridas de fórmula 1 de um piloto português. Pareceu-lhe "normal" honrar este compromisso, além das consequências jurídicas que teria não o fazer. 400.000 contos, em moeda antiga, para a gasolina do menino.
Se houvesse alguma dúvida sobre a imbecilidade irresponsável de Santana Lopes, bastaria isto. Infelizmente não há. Num país civilizado, a quantidade de actos danosos praticados por este político já o teriam metido na cadeia. Cá, "é normal". A tal ponto que já está de novo, no parlamento (e até "pondera" voltar a candidar-se à liderança - por assim dizer - do seu partido).
Mas voltando aos 2 milhões de euros, quando penso na relutância em se apoiar uma bolsa literária de mil euros, com a desculpa que bem podem os escritores ir trabalhar que quando voltarem para casas ainda lhes sobram muitas horas para a brincadeira, e que permitiria fazer um bocadinho de luz neste mundo confuso, não sei que diga... Ou que não quando não apoia atletas de modalidades menos televisivas e que insistem em ganhar medalhas de ouro. Que gente é esta, que propõe o luxo e nega a necessidade? Que gente é esta que "honra compromissos" com a futilidade, mas não os assume com quem aumenta a qualidade deste país.
Eu disse "pais"? Pois disse. À falta de melhor expressão.
O actual Secretário de Estado dos Desportos (creio que a designação andará por estes lados) declarou ter herdado uma dívida de 2 milhões de euros, do governo Santana Lopes, destinada a subsidiar as corridas de fórmula 1 de um piloto português. Pareceu-lhe "normal" honrar este compromisso, além das consequências jurídicas que teria não o fazer. 400.000 contos, em moeda antiga, para a gasolina do menino.
Se houvesse alguma dúvida sobre a imbecilidade irresponsável de Santana Lopes, bastaria isto. Infelizmente não há. Num país civilizado, a quantidade de actos danosos praticados por este político já o teriam metido na cadeia. Cá, "é normal". A tal ponto que já está de novo, no parlamento (e até "pondera" voltar a candidar-se à liderança - por assim dizer - do seu partido).
Mas voltando aos 2 milhões de euros, quando penso na relutância em se apoiar uma bolsa literária de mil euros, com a desculpa que bem podem os escritores ir trabalhar que quando voltarem para casas ainda lhes sobram muitas horas para a brincadeira, e que permitiria fazer um bocadinho de luz neste mundo confuso, não sei que diga... Ou que não quando não apoia atletas de modalidades menos televisivas e que insistem em ganhar medalhas de ouro. Que gente é esta, que propõe o luxo e nega a necessidade? Que gente é esta que "honra compromissos" com a futilidade, mas não os assume com quem aumenta a qualidade deste país.
Eu disse "pais"? Pois disse. À falta de melhor expressão.
20 de abril de 2008
INDIE
Começa na próxima semana.
É sempre espantoso o que uma equipa mínima consegue fazer. Está cada vez maior nas apostas e reconhecimento nacional e internacional. Do meu ponto de vista, é um case study nacional, porque conseguiu em 4 anos (5 edições, com apoios mínimos institucionais (lembre-se que em todos os concursos, anteriores a 2007,de apoio à elaboração de festivais de cinema, recebeu muito menos do que, por exemplo, Vila do Conde (curtas) ou Fantasporto (cinema fantástico))tornar-se no festival com mais público do país. E os festivais não se fazem para os amigos, fazem-se para as pessoas.
É verdade que estar em Lisboa, onde os jornalistas quase todos moram, gostando a a maioria muito pouco de se mexer, ajuda. Mas está longe de ser a razão principal. Qualidade e trabalho são o segredo deste sucesso. Nacional e internacional. Este ano, por exemplo, as extensões previstas chegam a 8, em diversas cidades europeias e americanas.
Nem foi preciso gastar o dinheiro dos apoios em publicidade paga na Variety, ou em stands de luxo, em Cannes. Foi só preciso trabalhar... e perceber de cinema.
Mais informação aqui.
ps: claro que o melhor do festival é o IndieJúnior. Mas não contem o segredo à imprensa ;)
Começa na próxima semana.
É sempre espantoso o que uma equipa mínima consegue fazer. Está cada vez maior nas apostas e reconhecimento nacional e internacional. Do meu ponto de vista, é um case study nacional, porque conseguiu em 4 anos (5 edições, com apoios mínimos institucionais (lembre-se que em todos os concursos, anteriores a 2007,de apoio à elaboração de festivais de cinema, recebeu muito menos do que, por exemplo, Vila do Conde (curtas) ou Fantasporto (cinema fantástico))tornar-se no festival com mais público do país. E os festivais não se fazem para os amigos, fazem-se para as pessoas.
É verdade que estar em Lisboa, onde os jornalistas quase todos moram, gostando a a maioria muito pouco de se mexer, ajuda. Mas está longe de ser a razão principal. Qualidade e trabalho são o segredo deste sucesso. Nacional e internacional. Este ano, por exemplo, as extensões previstas chegam a 8, em diversas cidades europeias e americanas.
Nem foi preciso gastar o dinheiro dos apoios em publicidade paga na Variety, ou em stands de luxo, em Cannes. Foi só preciso trabalhar... e perceber de cinema.
Mais informação aqui.
ps: claro que o melhor do festival é o IndieJúnior. Mas não contem o segredo à imprensa ;)
18 de abril de 2008
16 de abril de 2008
CONRAD
Por razões misteriosas, o livro O CORAÇÃO DA TREVAS, do Joseph Conrad, escapou-me todos estes anos. Andou ali pela prateleira, em edição de saldo, e nunca o tinha lido. Conhecia outras obras do autor e a devoção que tanta gente tem por ele. Mas não tinha calhado.
Peguei-lhe agora. E, embora, a tradução me pareça fraquita, basta uma descrição destas, para um escritor/leitor se pôr de joelhos:
"Uma rua estreita e deserta que mergulhava em profunda sombra, edifícios altos, inúmeras janelas com persianas, um silêncio de morte, erva a crescer entre as pedras da calçada, à esquerda e à direita imponentes entradas de carros, portas imensas de dois batentes, sinistramente abertas."
Por razões misteriosas, o livro O CORAÇÃO DA TREVAS, do Joseph Conrad, escapou-me todos estes anos. Andou ali pela prateleira, em edição de saldo, e nunca o tinha lido. Conhecia outras obras do autor e a devoção que tanta gente tem por ele. Mas não tinha calhado.
Peguei-lhe agora. E, embora, a tradução me pareça fraquita, basta uma descrição destas, para um escritor/leitor se pôr de joelhos:
"Uma rua estreita e deserta que mergulhava em profunda sombra, edifícios altos, inúmeras janelas com persianas, um silêncio de morte, erva a crescer entre as pedras da calçada, à esquerda e à direita imponentes entradas de carros, portas imensas de dois batentes, sinistramente abertas."
15 de abril de 2008
A DESCOBERTA DA PÓLVORA QUANDO ELA NOS ESTOURA NA CARA
Um pateta apresentava na tv, uma notícia de telejornal que começava assim: "Há AGORA um novo fenómeno nas escolas chamado "bulling", a violência de alunos contra outros alunos". Na verdade, a notícia deveria ser: "Há agora um novo tipo de jornalistas chamados "ignorants-no-brain-at-all".
Só alguém muito estúpido, ou muito distraído, pode pensar que o bulling é um fenómeno novo. Como se diz nos livros fraquinhos "desde tempos imemoriais" que rapazes torturam rapazes e raparigas outras raparigas, pelas mais diversas razões. Por serem gordos, ou feios, ou filhos de pais divorciados, ou pobres, ou efeminados, ou masculinizados(as), ou apenas por serem mais fracos e não se saberem ou poderem defender. As torturas podem ser físicas (como um rapaz transmontano que um dia me escreveu) ou psicológicas, ou um misto das duas. Desde sempre que pudemos encontrar miúdos encolhidos em recantos escuros da escola, à espera que toque para entrar, ou que todos já estejam vestidos no balneário, ou a correr para casa, antes que seja tarde de mais.
Sempre assim foi e, provavelmente, sempre assim será. Porque a infância e a adolescência não são apenas aquela coisa perfumada e inocente em que gostamos de acreditar, mas sim, a porta de entrada da crueldade ou da bondade humanas. Apenas com menos filtros. Como o tabaco em bruto.
Eu próprio fui vítima de bulling entre o 8º(2 vezes) e o 9º anos. Passei de melhor aluno da turma, a pior, do mais alegre ao mais calado. Fui perseguido e torturado psicologicamente por vários grupos de indivíduos, "inocentes-a-precisar-de-recuperação", como o ministério da Educação agora os definiria - que aproveitavam todas as oportunidades para me fazer sentir que não passava de uma nódoa insignificante no passeio. Estou hoje, aqui, vivo, apenas porque calhou. Porque a vida deu uma súbita guinada para o lado feliz, quando eu já não pensava senão em acabar comigo. Conto isto, sem particular nota de dramatismo, porque conheci tantas e tantas pessoas que passaram pelo mesmo. Era normal, nesse tempo. Algumas delas não se aguentaram e, da terra de onde venho, o suicídio não é uma palavra estranha.
Não, senhor jornalista, o "bulling" não é novo. Só a palavra. Antigamente chamava-se era "crueldade".
Um pateta apresentava na tv, uma notícia de telejornal que começava assim: "Há AGORA um novo fenómeno nas escolas chamado "bulling", a violência de alunos contra outros alunos". Na verdade, a notícia deveria ser: "Há agora um novo tipo de jornalistas chamados "ignorants-no-brain-at-all".
Só alguém muito estúpido, ou muito distraído, pode pensar que o bulling é um fenómeno novo. Como se diz nos livros fraquinhos "desde tempos imemoriais" que rapazes torturam rapazes e raparigas outras raparigas, pelas mais diversas razões. Por serem gordos, ou feios, ou filhos de pais divorciados, ou pobres, ou efeminados, ou masculinizados(as), ou apenas por serem mais fracos e não se saberem ou poderem defender. As torturas podem ser físicas (como um rapaz transmontano que um dia me escreveu) ou psicológicas, ou um misto das duas. Desde sempre que pudemos encontrar miúdos encolhidos em recantos escuros da escola, à espera que toque para entrar, ou que todos já estejam vestidos no balneário, ou a correr para casa, antes que seja tarde de mais.
Sempre assim foi e, provavelmente, sempre assim será. Porque a infância e a adolescência não são apenas aquela coisa perfumada e inocente em que gostamos de acreditar, mas sim, a porta de entrada da crueldade ou da bondade humanas. Apenas com menos filtros. Como o tabaco em bruto.
Eu próprio fui vítima de bulling entre o 8º(2 vezes) e o 9º anos. Passei de melhor aluno da turma, a pior, do mais alegre ao mais calado. Fui perseguido e torturado psicologicamente por vários grupos de indivíduos, "inocentes-a-precisar-de-recuperação", como o ministério da Educação agora os definiria - que aproveitavam todas as oportunidades para me fazer sentir que não passava de uma nódoa insignificante no passeio. Estou hoje, aqui, vivo, apenas porque calhou. Porque a vida deu uma súbita guinada para o lado feliz, quando eu já não pensava senão em acabar comigo. Conto isto, sem particular nota de dramatismo, porque conheci tantas e tantas pessoas que passaram pelo mesmo. Era normal, nesse tempo. Algumas delas não se aguentaram e, da terra de onde venho, o suicídio não é uma palavra estranha.
Não, senhor jornalista, o "bulling" não é novo. Só a palavra. Antigamente chamava-se era "crueldade".
12 de abril de 2008
8 de abril de 2008
ENCORAJAR
Leio no rodapé de um jornal televisivo que o ministro da Cultura iniciou a sua estratégia de encorajamento às artes. Parece-me bem. Tenho defendido desde há muito a necessidade de se descer do palácio de Queluz aos ateliers dos artistas, já para não dizer subir aos andares elevados das zonas pobres da cidade, onde a maioria habita.
O novo ministro começou por dirigir uma palavra de apreço aos galeristas "por fazerem a ligação entre a Cultura e as Finanças". Bom, esperemos que depois de despachada a agenda pessoal sobrem incentivos vocais (ao menos) para quem DE FACTO cria.
Leio no rodapé de um jornal televisivo que o ministro da Cultura iniciou a sua estratégia de encorajamento às artes. Parece-me bem. Tenho defendido desde há muito a necessidade de se descer do palácio de Queluz aos ateliers dos artistas, já para não dizer subir aos andares elevados das zonas pobres da cidade, onde a maioria habita.
O novo ministro começou por dirigir uma palavra de apreço aos galeristas "por fazerem a ligação entre a Cultura e as Finanças". Bom, esperemos que depois de despachada a agenda pessoal sobrem incentivos vocais (ao menos) para quem DE FACTO cria.
7 de abril de 2008
FIZ ANOS, OUTRA VEZ
Raios partam a ocorrência. Enfim, adiante. Em última análise, sempre sobra o bolo e o vinho que os amigos trazem para o jantar. Sobra, igualmente, a pilha de pratos para lavar, para os que têm a mania que a comida só existe sobre pratos de louça, não reconhecendo a existência ao plástico.
À medida que o tempo passa, as nossas características tornam-se mais claras. O que somos, o que fomos, e o que queremos ser amanhã, que é o dia antes de depois-de-amanhã. Uns sonham tornar-se ricos e conhecidos. Outros esperam apenas reconhecerem-se ao espelho. Olharem o reflexo e verem a pessoa íntegra e solidária em que todos os dias trabalham para existir ou manter-se.A coincidência entre o que idealizam e a realidade. Com menos peso ou cabelos brancos, ainda assim.
Fiz anos, outra vez. Raios os partam. Tantas vezes 26, já chateia. Mas ao mesmo tempo, tenho vontade de rir, porque a brincar, a brincar ainda flutuo à superficie.
Raios partam a ocorrência. Enfim, adiante. Em última análise, sempre sobra o bolo e o vinho que os amigos trazem para o jantar. Sobra, igualmente, a pilha de pratos para lavar, para os que têm a mania que a comida só existe sobre pratos de louça, não reconhecendo a existência ao plástico.
À medida que o tempo passa, as nossas características tornam-se mais claras. O que somos, o que fomos, e o que queremos ser amanhã, que é o dia antes de depois-de-amanhã. Uns sonham tornar-se ricos e conhecidos. Outros esperam apenas reconhecerem-se ao espelho. Olharem o reflexo e verem a pessoa íntegra e solidária em que todos os dias trabalham para existir ou manter-se.A coincidência entre o que idealizam e a realidade. Com menos peso ou cabelos brancos, ainda assim.
Fiz anos, outra vez. Raios os partam. Tantas vezes 26, já chateia. Mas ao mesmo tempo, tenho vontade de rir, porque a brincar, a brincar ainda flutuo à superficie.
3 de abril de 2008

UMA DOSE DE PERSISTÊNCIA, APARECER NO LUGAR CERTO E UM CARÍSSIMO LOOK TRENDY....
São os ingredientes para triunfar nos meios culturais portugueses. E perceber que a notícia do desaparecimento de uma iniciativa ou da perda de um lucrativíssimo lugar de chefia, são sempre altamente exageradas.
A Experimenta Design acaba de assinar um protocolo com a Câmara de Lisboa e com o Ministério da Cultura que assegura ao evento 2, 7 milhões de euros para as 2,5 edições (a próxima é uma parceria com Amsterdão).
E ainda há quem diga que pagar cabeleireiros caros e fashion designers, e aparecer em todas as reuniões públicas entre o Poder e a cultura, não resulta.
Viagens em executiva, mundo fora: here I go!
PS: a minha frase favorita no site é "Não será demais voltar a dizer que a ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa é:"
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